Você já parou pra pensar que cada vez que consumimos alimentos transgênicos também incentivamos o mercado dos agrotóxicos?
Isso porque os alimentos transgênicos são produzidos para serem mais resistentes aos agrotóxicos, assim, esses pesticidas são mais vendidos na medida em que as pragas evoluem e tornam-se mais resistentes aos venenos. É um ciclo vicioso, consumimos produtos transgênicos que recebem cada vez mais agrotóxicos em sua produção, e assim, cada vez mais os alimentos passam por mutações genéticas para resistirem a uma concentração maior de agrotóxicos.
Porém, antes de entendermos os impactos e qual a relação entre os agrotóxicos e transgênicos é primeiro necessário entender do que se trata quando falamos sobre um alimento transgênico.
No Brasil, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional já afirmou que não há conclusões sobre a segurança do consumo de agrotóxicos à nossa saúde e ao meio ambiente.
É justamente essa incerteza sobre a biossegurança em relação ao consumo desses produtos é onde mora a preocupação, ou seja, não há um controle sobre as consequências do consumo de transgênicos.
O que é um alimento transgênico
Alimentos transgênicos são aqueles que sofrem alguma modificação em sua genética, com a finalidade de serem mais resistentes às condições que comprometem sua vida útil.
São, portanto, mais resistentes às pragas e aos inseticidas usados contra as mesmas, e também tendem a aumentar seu tempo de vida após a colheita.
Porém, essas alterações nas sementes e materiais genéticos trazem impactos socioambientais, ou seja, trazem consequências ao seres humanos e ao meio ambiente.
Os perigos à saúde
Pesquisas recentes buscam entender os efeitos do consumo de transgênicos ao surgimento de enfermidades como malformação congênita, câncer, depressão, entre outros.
Estudos na França comprovaram que ratos alimentados com ração transgênica tinham maior tendência à formação de câncer.
Doenças no sistema digestivo, urinário e reprodutor
Outros estudos publicados pela Instituição Nacional de Saúde e Biblioteca de Medicina dos EUA relacionam efeitos tóxicos resultantes do consumo dos alimentos geneticamente modificados (GMO’s).

Dentre os sintomas descritos o estudo destaca para problemas severos em diversos sistemas e órgãos, como doenças hepáticas, pancreáticas, renais e problemas no sistema reprodutor.
Os transgênicos e os agrotóxicos: aumento dos pesticidas, aumento dos perigos.
Na medida em que as ervas daninhas evoluem e se tornam mais resistentes aos agrotóxicos usados, é inserida uma quantidade ainda maior de herbicidas a fim de controla-las. No Brasil, esse efeito foi amortizado com a flexibilização das leis.

Leia também: Os agrotóxicos no Brasil e os impactos na saúde
Assim, agrotóxicos que já eram proibidos internacionalmente, como o glifosato (possui estudos relacionando-o a incidência de câncer, é um desregulador hormonal, relacionado à alterações de humor e depressão), são ainda hoje utilizados para pulverizar plantações, que por sua vez, tornam-se cada vez mais resistes aos herbicidas.
Nos EUA, por exemplo, já foi demonstrado que houve um aumento de 50x mais ocorrência de glifosato no grão de milho desde 1996, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA.
Transgênicos não acabam com a fome do mundo, afirma a OMS:

O fenômeno da transgenia nas produções agrícolas abriu o cenário para a industrialização da cadeia alimentar para as grandes empresas do agronegócio. Com isso, aumentou o número de desnutridos e obesos. (OMS, 2012)
Mais desemprego
Pequenos e médios produtores e camponeses são os que alimentam a maior parcela de pessoas pobres, enquanto qu

As grandes corporações do agronegócio implementam um sistema industrial no campo, com cultivos de monocultura que são altamente degradantes ao solo e por isso são consideradas técnicas de alto risco.
Patentes
As sementes transgênicas são patenteadas pela indústria, que obriga aos agricultores a pagar royalties de acordo com os hectares. Com isso, o produtor rural não pode guardar uma parte da colheita para o próximo plantio, sob o risco de penalização legal, multas, processos.

A relação é clara: as seis maiores fabricantes dos agroquímicos do mundo controlam 76% desse mercado, sendo que essas mesmas são as responsáveis por 60% do mercado de sementes transgênicas, afirma a ETC GROUP, organização internacional da conservação e desenvolvimento sustentável da diversidade cultural e ecológica e dos direitos humanos.
Oito dos nove piores problemas ambientais
O período marcado pela intensificação do cultivo dos transgênicos teve em paralelo a incidência do agravamento de problemas ambientais, crise climática, oito dos nove problemas ambientais mais graves conforme a definição do Stockholm Resilence Center.

Mudanças climáticas, perda da biodiversidade, acidificação dos oceanos, contaminação das fontes de água doce e erosão do solo estão relacionados a produção de alimentos e transgênicos, aponta o cientista Rockström, renomado por seu trabalho em prol da sustentabilidade.
Conforme vimos, a falta de transparência sobre as consequências dos transgênicos é um problema a ser debatido.
É sempre necessário um consumo consciente para garantir que nossa parte em prol de um planeta mais sustentável para as próximas gerações. Enquanto não podemos frear a produção de agrotóxicos, devemos buscar soluções realmente eficientes para eliminar definitivamente esses venenos de nossa mesa.
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