Cerveja artesanal: Conheça o método básico de produção

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O mercado de cerveja artesanal cresce por conta da qualidade das marcas e por ampliar o poder de escolha dos consumidores. Mas além disso, o sucesso das cervejarias também tem despertado o interesse de muitos apreciadores de também começarem a produzir sua própria cerveja, seja de forma informal e caseira, seja em estruturas de menor porte, mas com fins comerciais. Por isso, neste post, apresentamos as principais etapas do método básico para a produção de cerveja.

Antes, nunca esqueça: lembre-se sempre da importância da sanitização da produção da cerveja, com atenção redobrada para equipamentos, garrafas e até tampinhas. Também procure referências sobre o uso da água na produção. Por exemplo, a presença de cálcio pode influenciar no sabor da cerveja. Na dúvida, ferva a água por cerca de 15 min a 20 min. E no momento de decidir pela produção da própria cerveja, pensa também em onde e como pretende armazená-la. Barris? Garrafas? Estude a respeito para escolher a opção que preserve o sabor e a textura por mais tempo, sem variações que comprometam o resultado final.

Dicas para a produção de cerveja artesanal

Conforme o livro Cerveja Artesanal (de Dave Law e Beshlie Grimes), o interessado em produzir sua própria cerveja começa sua jornada escolhendo entre três possibilidades:

Kit em lata

Este método tem origem nos anos 70 e 80 e é considerado o mais simples. Os resultados são consistentes e para produzir basta seguir as instruções que constam na lata.

Extrato de malte

Este é o método em que a produção é mais rápida. Basta usar o extrato de malte líquido, que é comprado pronto para ser misturado em um caldeirão com água, lúpulos, adjuntos e levedura. Ocupam menos espaço para armazenamento.

Malte em grãos

Este é o método tradicional e recomendado para quem quer levar a sério a produção de cerveja e deseja alcançar um sabor mais próximo de suas marcas favoritas. Exige mais tempo e mais investimento em equipamentos. A escolha deste método é uma experiência e tanto para quem é apreciador e deseja mergulhar a fundo na produção, mas é preciso ser paciente para dominar a técnica, aprimorar o processo e chegar a um resultado satisfatório.

Definido qual será o método, orienta-se agora sobre os estágios da produção da cerveja artesanal. Em geral, você precisa seguir seis estágios para chegar ao produto final. Confira.

1 – Brassagem

Neste estágio, os grãos são mergulhados na água aquecida do caldeirão. Deve-se mexer até que todos fiquem molhados e os grumos se desfaçam, assumindo um aspecto semelhante a um mingau. A água deve estar entre 60° e 68° e o procedimento precisa ser executado entre 1h e 1h30min.

2 – Lavagem dos grãos

Este estágio visa retirar os açúcares convertidos dos grãos para que seja formado o mosto. Primeiro, é feito o escoamento da maior parte do líquido doce do malte. Depois, o procedimento é fazer a lavagem borrifando água entre 75° e 78° para tirar o máximo do açúcar.

Os dois líquidos desta etapa deve ser despejados de volta sobre os grãos, escoando até que não esteja mais doce (passe o dedo na saída de líquido da torneira do caldeirão para conferir).

Pode-se usar uma escumadeira para este procedimento. E entre cada escoamento, o líquido deve assentar por cerca de 10 min.

3 – Fervura

Esta etapa pode ser feita em um fogão comum ou utilizando um caldeirão elétrico. Os caldeirões de maior tamanho tem como vantagem o fato de ferver mais rápido e ajustar mais facilmente a temperatura.

Deve-se pensar também em como será o esfriamento para 20°. Uma alternativa é usar um chiller ou deixar o mosto esfriar durante a noite.

4 – Fermentação primária

Neste estágio serão adicionados a levedura para a conversão dos açúcares do mosto em álcool e o dióxido de carbono. É possível cultivar levaduras em garrafas ou barris, podendo ser de sua cerveja favorita. Caso prefira, pode-se adquirir leveduras de fornecedores que já vem com ativador.

5 – Trasfega

Aqui ocorre a transferência da cerveja para o recipiente escolhido. Isso deve ser feito depois que a fermentação primária é completada. Tudo deve ser muito bem esterilizado para evitar que bactérias e microorganismo estraguem a cerveja. O fermentador usado deve estar 30cm acima do recipiente e garanta a densidade e a velocidade do fluxo que pode ser controlado por um sifão. É recomendado usar um fermentador que possua uma torneira caso queira engarrafar ou dividir sua cerveja com outras pessoas.

6 – Carbonatação

Este estágio significa produzir uma última fermentação que ocorre no recipiente escolhe para armazenar sua cerveja. O objetivo é conseguir o dióxido de carbono, que concede à cerveja sua efervescência. Especialistas recomendam usar um barril de 20 litros neste procedimento.

Deve-se observar se o recipiente está hermeticamente fechado para que os açúcares residuais possam ser usados para iniciar o processo de carbonatação. Nesta etapa é preciso ter atenção também atenção ao acréscimo de açúcar. Além do ideal, pode-se obter uma cerveja muito gasosa. Pode-se adotar como padrão adicionar 1 colher de chá para cada litro de cerveja.

O barril fechado deve ficar uma semana assim, num ambiente com uma temperatura de 20°. O passo seguinte é colocar em uma adega ou geladeira por alguns dias.

E a hora da prova?

A prova pode ocorrer uma semana depois. E será o momento de verificar se a cerveja está com mais ou menos gás. No primeiro caso, deve-se gelá-la antes de servir. No segundo caso, o produto deve voltar para um local aquecido.

Caso use garrafas, se a cerveja esguichar ao ser aberta, pode ser sinal de tempo em excesso de condicionamento. Basta dar mais uns dias para que seus ingredientes se assentem.

Gostou das dicas? No próximo post sobre cerveja artesanal iremos apresentar mais dicas sobre o processo de produção.

Fonte de referência: Cerveja Artesanal (de Dave Law e Beshlie Grimes)

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